Rio muito com esse video. Pra quem ainda não viu. E agora com legendas.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Amigos...
Um garçom muito querido, contraste entre a fleuma, o alinho e a postura de um inglês e o sorriso e a simpatia de um velho sambista, morreu instantaneamente, coração, deixando cair em plena hora do rush a primeira e última bandeja de sua carreira. Sem chance de despedida para quem quer que fosse.
Passado algum tempo, saudosos e amargurados pela impossibilidade do adeus ao amigo, sempre lembrado no primeiro tim-tim da noite, cinco parceiros de bar e copo resolveram procurar uma médium, dessas porretas, reputação ilibada e tais, para buscar notícias do Carlão, o tal garçom querido.
Desconfortáveis pela falta de trato com o assunto, os cinco sentaram-se desconfiados junto da velha senhora numa mesa redonda em que, trocadas a toalha branca e os copos d’água a sua frente por toalhas de papel e tulipas de cerveja, tudo seria perfeito. Após uma prece curta, a médium clamou Carlão. Nada. Outra vez e nada. Mais outra e outra e nada e nada de novo. Disse estar difícil, disse que o sentia ali, que estava perto, que não entendia o por quê de não se manifestar. Pediu que todos desses as mãos, concentrassem, fizessem força – Jorge tanto se esforçou que quase passa vergonha! - e ainda nada.
Chateada, a senhora rompe a corrente, diz com olhos honestos que isso nunca lhe havia acontecido – o que fez Aloísio reprimir o sorriso com esforço hercúleo! – e ainda confessa ter pensado até em usar sua porção Bibi Ferreira, adquirida ainda nos estudos de teatro do colégio, anos idos, para interpretar o Carlão, não por ego, imagine, e sim para trazer algum conforto aos cinco carentes, como o fazem tantos dos seus supostos pares. Nem bem terminou a alfinetada pseudo-religiosa e inspirou forte, cerrando o punho direito enquanto se empertigava. Não houve zinfíus, nem eês, como esperava Caetano. Nem fumaça de gelo seco, muito menos os fantasminhas de Ghost. Dance muito aí em cima, Patrick! Houve apenas o espanto do reconhecimento. Houve o porte. A classe. Era seu querido ausente, era o Carlão e não se tinha dúvida, em pele nova e gênero invertido, mas, estranhamente, de cara fechada e sem qualquer cordialidade. Ninguém falou, em princípio, até que o Aderbal, olhos indisfarçavelmente marejados, pergunta:
- Poxa, Camarada, por que demorou tanto?
A médium-Carlão olhou-os por instantes, um a um, com olhar ainda pesado. Abriu então um sorriso imenso e respondeu.
- Sou profissional, rapaz! Essa mesa não é das minhas.
Silêncio, seguido de entreolhares e risadas tímidas, que tomaram volume. Muito volume. Viraram gargalhadas. Tapas fraternos em mesa e ombros. Dedos apontados ao Carlão, grande Carlão, ninguém mais via a velha senhora em vestido simples a sua frente. Era só o Carlão, que deixara a carranca e sorria seu conhecido sorriso, cativante sorriso, com outra boca e dentes.
Não se pode dizer quem foi o primeiro a se levantar, copo d’água erguido qual fosse hidromel. Vidro barato chocando em vidro barato, o nome do Carlão bradado em uníssono. A felicidade dos fraternos quando em reencontro, onde a lágrima tem outro significado.
E o Juca, o homem da frase certa para cada ocasião, pigarreou, esperou o silêncio voltar e, dirigindo-se a entidade, disparou:
- Puxa a cadeira, Carlão! Senta com a gente! E aí, meu querido, quais são as novidades?
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